quarta-feira, maio 07, 2008

"Russia Unida"

Para quem gosta de política internacional, esta tomada de posse, não se adivinha que trara algo de novo a cena política. Enquanto nos EUA, a eleição de um democrata para a Casa Branca parece quase certa, sendo a duvida principal, é se será um Afro-Americano ou uma Mulher, esta eleição mudara completamente a política americana,independentemente de um novo republicano ou um democrata, nomeadamente já com a anunciada retirada das tropas americanas no Iraque. Na Russia , temo que a política externa será ainda mais conflituosa e provocadora.Senão vejamos:

- O escudo anti-missil americano que irá(ainda não se tem a certeza) ser instalado na Republica Checa e que os russos vêm com uma ameaça directa á sua influência na Europa.

- O gasoduto Nabuco, um dos temas mais sensiveis no Kremlim, em que o gas natural poderá vir da Asía Menor sem passar por dentro da Russia e que pode ser encarado como uma tentativa do Ocidente para fugir á pressão energética que a Russia tem vindo a fazer sobre a Europa, veja-se na Ucrânia.

- A criação por parte dos Russos, de uma Opep do Gás, em que os russos e os restantes membros representarão cerca de 40% do gás mundial, criando assim pressão sobre os preços do gás.

- As relações comerciais que os russos abriram com as regiões separatistas da Georgia, na Ossetia do Sul e Abkhazia, regiões estas que declararam a indepêndencia unilateral da Georgia, e que poderão ser focos de conflitos na região, e que poderão resultar mesmo numa guerra entre estes 2 estados.

- A entrada da Georgia da Nato.

- O veto da Georgia anunciado, na entrada da Russia na OMC (Organização Mundial do Comercio).

- A questão do Kosovo.

- A questão iraniana, e esta amizade subita.

Todos estes temas, são questões que podem ditar o rumo dos acontecimentos, visto que a política de Putin e Medvedev irão ser em toda a linha idênticas, sendo ex-Presidente da República Russa o próximo Primeiro Ministro, isso só demonstra como a Russia está determinada em atingir outra vez a influência política que esteve durante tanto tempo perdida.

4 comentários:

Filipe Farinha disse...

Ainda há pouco mais de um mês esteve em cima da mesa, na cimeira da NATO realizada na Roménia, a adesão da Geórgia (e da Ucrânia) à Aliança Atlântica. É interessante pensar na situação que se poderia ter criado: Se a Rússia se sentiria confiante ao ponto de reforçar a sua presença militar nas duas regiões separatistas (mesmo que legitimadas pelas Nações Unidas) tendo a Geórgia o estatuto de "pré-membro" ou se a NATO iria responder à situação. Obrigado Angela Merkel e Nicolas Sarkozy.

Anónimo disse...

Então os Russos é que são provocadores?

- Os americanos é que põem os mísseis e anti-misseis;
- Os americanos é que querem desviar o gasoduto;
- Os americanos e aliados é que representam 60% do gás mundial;
- Os americanos é que querem a Geórgia na NATO;
- Os americanos e aliados é que querem dominar o Kosovo;
- Os americanos é que se querem meter com o Irão:
- Os americanos é que invadiram o Iraque;
- Etc. etc. etc.

Volto a perguntar: os Russos é que são provocadores?

Sei que os Russos não são nenhuns santinhos, mas esta análise do Geraldes daria vontade de rir se não fosse grave e partir de alguém com aspirações políticas.

Daniel Geraldes disse...

Caro anónimo por acaso sabe porque:

-Sabe porque é que os americanos querem colocar o sistema anti missil.

-Sabe porque é que o gasoduto Nabuco esta a ser construido.

- Sabe que os americanos não representam nada no gás,e se conhece a Opep do Petroleo, imagine o que era uma Opep do Gás.

- Sabe porque é que a Georgia quer entrar para a Nato.

- Sabe porque é que os Russos não apoiam a independencia do Kosovo.

E eu volto a responder, sim os russos é que são os provocadores, e exemplifico-o com a morte do espião russo em Londres, ou até, com a prisão do ex-presidente da Yukos, com estes pequenos exemplos se vê o perigo da política do Kremlim.

Filipe Farinha disse...

Concordo com o "anónimo" quando apresenta o exemplo do escudo anti-míssil e da (possível) entrada da Geórgia e da Ucrânia na NATO. No entanto, não esquecer que nem tudo são apenas "reacções" por parte da Rússia. O que dizer sobre o reiniciar das suas patrulhas de bombardeiros de longo curso, do reiniciar das paradas militares do 9 de Maio?