sábado, janeiro 24, 2009

A outra face

Olhar a mais de 30 anos de executivo comunista na Câmara Municipal do Seixal dá muito que pensar. Dá ainda mais que pensar quando percebemos que o PCP (ou a CDU) do Seixal devia aprender qualquer coisa com os seus camaradas de Braga.
Numa crítica séria e grave ao executivo camarário bracarense, o PCP local começa por dizer que «a “aposta” verbal na Cultura não mostrou qualquer novo despertar para uma politica municipal empenhada na promoção cultural do concelho» e que «uma dinâmica de desenvolvimento cultural do concelho exige uma política que apoie e incentive a reanimação de grupos amadores, pequenas colectividades e associações culturais dispersas pelo concelho e que ou desapareceram, ou continuam a viver com dificuldades, por ausência de estímulos à criação, de diálogo com os agentes culturais com respeito pela sua independência».
Em relação ao ambiente, diz o PCP de Braga que «entretanto a poluição nos cursos de água do concelho continua a ser notícia frequente... » e que «Braga continua a albergar grandes cemitérios de sucata que continuam a poluir a paisagem, os solos e as águas».
Continuam, dizendo que «a paisagem urbana de Braga não pára de ser depredada em resultado de um desordenamento de bradar aos céus que a Câmara parece interessada em incrementar.A CMB licencia construções de grande volumetria em espaços exíguos, sem ordenamento prévio, e por isso desenquadradas do conjunto onde se inserem, desprovidas de qualquer sentido estético, fazendo assim nascer verdadeiros “mamarrachos” urbanísticos na cidade» e ainda que «outros espaços verdes continuam a dar o lugar ao Betão».
Por outro lado, «o centro histórico da cidade em processo de degradação sem que se conheça qualquer projecto para a sua recuperação, revitalização e animação sócio-cultural ...Braga tem fogos devolutos em quantidade para o acréscimo de população previsível nos próximos 10 ou até 20 anos. Mas os interesses imobiliários podem muito, e continua a privilegiar-se a construção. Em contraste assiste–se à degradação do património habitacional existente...A sua restauração devia, isso sim, ser uma prioridade da Câmara...».
Mas a gente do PCP de Braga não termina: parece que aquela cidade tem enormes problemas. Se não, vejamos: «as preocupações ambientais, a segurança dos moradores e dos peões na cidade e a qualidade de vida nas áreas urbanas não são prioridade para o executivo». Por outro lado, «a preocupante situação de guetização progressiva nos Bairros Sociais do Picoto e Santa Tecla exige uma análise muito profunda e multidisciplinar a que a Câmara e a BragaHabit têm que dar o tiro de partida».
Os problemas não acabam! Mas o PCP de Braga não se verga... Dizem eles que «as pequenas obras, há anos realizadas, no mercado municipal são notoriamente insuficientes, continuando por fazer a remodelação estrutural e requalificação deste espaço».
Depois ainda dizem que «o município de Braga continua a ignorar a participação dos jovens, desprezando o seu carácter de irreverência e vitalidade. Agendam-se eventos que na sua grande maioria ficam marcados pela baixissima adesão dos jovens».
A conclusão é brilhante: «a Gestão Municipal não está a servir melhor nem o Município nem os munícipes».
Tenho uma proposta para fazer ao executivo da Câmara Municipal do Seixal: importam-se de falar com os vossos camaradas de Braga? Tragam-nos cá abaixo para verem como funciona o Seixal. É que, com tanta crítica ninguém diria que o PCP tem duas caras: a que usa quando governa e a que usa quando faz oposição.

3 comentários:

Anónimo disse...

Penso que o PCP de Braga acabou de descrever o Seixal.

Daniel Geraldes disse...

Realmente é verdade, e eu até vou mais longe, se eu visse os camaradas do PCP de Braga, até lhes dava um abraço por esta excelente descrição do Seixal.

Miguel disse...

De certeza que se referiam a Braga?