terça-feira, fevereiro 12, 2008

Boletim Municipal do Seixal: A propaganda ao serviço do regime!

Dá conta o Boletim Municipal do Seixal – que refira-se, custará este ano aos habitantes do concelho do Seixal a módica quantia de € 560.018,00, (entre edição e distribuição) o que corresponde a 0.72% do orçamento municipal – que se realizou no passado dia 23 de Janeiro um plenário da Câmara Municipal do Seixal entre o executivo municipal e os trabalhadores da Autarquia.
Diga-se, em primeiro lugar, que, como não poderia deixar de ser este encontro realizou-se a um dia de semana e durante o horário de funcionamento dos serviços municipais, que naturalmente se viram impedidos de funcionar, privando centenas de munícipes do acesso a serviços que pagam, quer por força dos seus impostos, quer, mais grave ainda, através de uma mensalidade para a utilização de um serviço especifico (veja-se o caso das piscinas municipais que estiveram encerradas neste período, impedindo que os seus utentes usassem de um serviço previamente pago).
Em segundo lugar, e ao bom estilo das repúblicas comunistas, o encontro terá servido – pelo menos de acordo com o que atesta o Boletim Municipal – como verdadeiro comício por parte dos autarcas e das organizações representativas dos trabalhadores, o que é grave, porque aproveitando-se da qualidade de autarcas, não houve qualquer direito ao contraditório. Com intervenções de Francisco Rosário – pela Comissão Sindical - Teresa Nunes – em nome das Juntas de Freguesia, sendo a mesma Presidente da Junta de Freguesia da Arrentela – que disse: “todos juntos, aliando vontades, forças, criatividade e espírito de sacrifício, havemos de resistir, como sempre resistimos, antes e depois do 25 de Abril”, Joaquim Rodrigues – em representação da Assembleia Municipal – “deixou uma mensagem de esperança” – e são estas as palavras do Boletim Municipal – dizendo que “apesar da ofensiva do Governo às autarquias locais e aos trabalhadores.”
Por fim terá falado Alfredo Monteiro, o Presidente da autarquia que se referiu longamente à Lei Eleitoral, à Lei das Finanças Locais, ao Orçamento de Estado, acabou por referir que “apesar de constrangimentos impostos pelas políticas do Governo”, com a “retirada de direitos conquistados em Abril”, a autarquia promoverá a qualificação das condições de trabalho e a realização socioprofissional dos trabalhadores.
Tudo isto, em particular as palavras do Sr. Presidente da CMS, fazem-nos estranhar as palavras de alguns dirigentes do SINTAP que têm vindo posto em causa – através de diversos artigos publicados em jornais locais que devem ser objecto de questões directas aos responsáveis autárquicos – esta realidade tão dogmaticamente colocada por Alfredo Monteiro.
Face ao exposto há a dizer o seguinte:
1.º Não compreendemos o propósito desta iniciativa que priva cidadãos contribuintes de acesso, durante um período de tempo, aos serviços que deveriam ser proporcionados pela autarquia;
2.º Condenamos a autarquia e os seus autarcas que, aproveitando da situação para fazer um verdadeiro comício ao estilo estalinista;
3.º Condenamos as palavras do Sr. Presidente Alfredo Monteiro, que face à ausência de contraditório profere palavras que entram em conflito e contradição com o que tem vindo a ser afirmado por alguns dirigentes sindicais;
4:ª Finalmente, condenamos o uso do Boletim Municipal como órgão de propaganda da CMS, que serve os interesses de uma determinada linha programática, profundamente ideológica, ao invés de funcionar como um verdadeiro jornal isento.
Nota: A imagem é da propaganda soviética e foi retirada daqui

6 comentários:

Ponto Verde disse...

Absolutamente um escândalo !

A denúncia destes factos junto de uma opinião publica iludida é o rumo certo e necessário.

Note-se que o Boletim Municipal não tem espaço para...os munícipes...

hkt disse...

Note-se que o custo real do Boletim é muito maior: faltam aqui os custos de produção... de resto tudo neste Boletim está feito para o tornar opaco e para ocultar o seu real custo.
Quanto à reunião com os trabalhadores foi certamente necessária para renovar fidelidades e mostrar quem manda, não fosse algum querer "sair do círculo".

Velas do Tejo disse...

Então e o custo das revistas editadas pelas juntas de freguesia? E o custo dos websites da Câmara Municipal e freguesias satélites? E o custo de outdoors que - na maior parte dos casos são pura oposição ao governo - andam por todo o lado espalhados? E o custo dos recursos camarário que todo o ano trabalham na festa do Avante? Assim como os custos com limpeza e policiamento da ruas aquando da celebração da mesma?

Querem mais?

E os discursos, simbolos e mensagens que são usados abusivamente nas festas populares? Assim como o modelo de celebração do aniversário do 25 de Abril? E os discursos que decorrem em escolas, associações e outros movimentos? E a forma como os resultados das reuniões de câmara são apresentado?

Querem mais?...

Velas do Tejo disse...

até o benfica que é vermelho aqui veio parar... irra!

Filipe de Arede Nunes disse...

Não era nosso objectivo fazer uma análise exaustiva de todos os meios de propaganda da CMS nem das verbas envolvidas.
Seja como for, agradecemos o comentário do Velas do Tejo pera pertinencia e acuidade.
Cumprimentos,
Filipe de Arede Nunes

Paulo Edson Cunha disse...

Este tema de primordial importância para mim e para o PSD local, terá tratamento próprio em breve. Aliás, eu já escrevi bastante sobre ele e já tomei algumas medidas que dentro em breve conto poder apresentá-las e, sobretudo aos seus resultados práticos. Sobre o que está orçamentado para este ano, deixo uma pergunta no ar:e o que está já previsto transitar para 2009...?