sábado, janeiro 19, 2008

OTA “JAMAIS” (ou a cambalhota do Ministro)


OTA nunca mais. O relatório do LNEC sobre a localização do novo aeroporto é mais um em que a Ota fica em último lugar. Todos os relatórios comparativos foram favoráveis a localizações na margem sul do Tejo (Rio Frio/Poceirão, Montijo e Alcochete) em detrimento da Ota.
Sem assumir que errou, o Governo, veio agora constatar que afinal a margem sul oferecia melhores condições de navegabilidade aérea do que a Ota. Não era preciso gastar tantos milhões de euros e tantos anos, nem era preciso ser engenheiro para ver o óbvio.
Regozijo-me com o abandono da OTA, mas considero que o Governo tomou a decisão de uma forma leviana, incompleta e irresponsável.
O Governo condicionou o estudo do LNEC ao ter impedido que fossem comparadas diversas alternativas de localização e diversos modelos de concretização, nomeadamente o Portela +1.
Neste trabalho o LNEC também não foi mandatado para estudar a melhor articulação dos outros modos de transporte, nomeadamente o TGV e o caminho de ferro convencional. Como é evidente se a localização do novo aeroporto não fosse Ota, ou não estivesse localizado próximo do eixo ferroviário Pinhal Novo/Marateca, a rede de TGV teria de ser alterada, a não ser que não se construa. Apesar de considerar que estrategicamente a ligação a Madrid é prioritária, seria prudente realizar a análise custo-benefício deste projecto.
O Governo limitou-se a mudar a localização do aeroporto mantendo tudo o resto como estava, nomeadamente o TGV.
Sabemos o que fez o Ministro para levar o projecto do TGV a passar por baixo do aeroporto na Ota. Agora nem precisa de passar perto de Alcochete. Basta fazer um ramal!?
Diz agora o Governo que para localizar o aeroporto em Alcochete é preciso construir uma nova travessia rodo-ferroviária no Tejo.
É apenas mais um embuste, pois para o TGV atravessar o Tejo tinha de ser construída uma nova travessia e mesmo sem qualquer novo aeroporto há muito que é preciso construir uma nova ligação rodoviária.
Quem atravessa a Ponte 25 de Abril todos os dias sabe que esta está congestionada durante grande parte do dia e também sabemos que cerca de 60% dos utilizadores se desloca dos concelhos de Almada, Seixal e Sesimbra, para os concelhos situados a poente da ponte e do Eixo Norte/Sul.
Tal como fiz em Maio de 2007 neste jornal, desafio o Governo a realizar um estudo da mobilidade na AML e a sua ligação com o exterior, a bem do interesse público.
O sistema de transportes não é uma mera soma de projectos avulsos. O sistema de transportes é um conjunto coerente e articulado das diversas redes.
Investimentos desta dimensão e natureza não podem continuar a ser defendidas num qualquer almoço, correndo o risco de entornar o caldo.
A credibilidade e a confiança nas decisões deste Governo estão irremediavelmente abaladas com esta cambalhota politica.



Luis Rodrigues
Deputado (PSD)


Nota: Estranhamente a nova solução apresenta um custo semelhante à anterior. A quem interessa esta situação?


A JSD Seixal agradece a disponibilização do texto

1 comentário:

Velas do Tejo disse...

Não se preocupem. Quando o novo aeroporto for inaugurado o "Areias" já não será Ministro... mas garantidamente que continuará a ser camelo.