sexta-feira, abril 18, 2008

A Feira do Livro e a política cultural municipal

Inicia-se hoje e terminará no próximo dia 4 de Maio, a já habitual Feira do Livro na Amora.
E perguntarão os leitores: qual a relevância desta notícia?
Em primeiro lugar, chamamos à atenção da mesma porque é um dos (poucos) eventos de índole cultural que ainda acontecem no concelho do Seixal.
Em segundo lugar, pode ser que seja uma boa oportunidade para algumas compras, apesar de pouca diversidade que se espera, face ao número de editoras que se prevê que participem.
Finalmente, e mais importante. De facto, a relevância desta Feira do Livro parece ser pequena. Realiza-se há vários anos no mesmo local, com poucas ou nenhumas condições de conforto para os seus visitantes, sem a devida publicidade, pouco apelativa e incapaz de se afirmar como um marco entre as Feiras do Livro que se costumam organizar neste época do ano.
Deixo a reflexão: o que é que será que a Câmara Municipal do Seixal entende que seja a política cultural municipal?

4 comentários:

Daniel Geraldes disse...

Quantos livros é que terá vendido aquela feira no ano passado? Quantos livros é que o Presidente do Concelho já lá tera comprado?

JS Seixal disse...

Na verdade, o que me parece de alguma forma esgotado é o formato... Os livros e as bibliotecas têm que começar a ser dinâmicas. Têm que aparecer nas escolas, nas associações juvenis ou seniors. Vender livros, em qualquer local é possível. Mas como levar mais pessoas a ler e a comprá-los ou requisitá-los. Isso parece-me pertinente, o papel do Forum do Seixal tem que se adaptar às novas realidades e dinamizar o que de melhor, os seus livros.
Quanto ao número e à qualidade de eventos, muito se podia dizer...

Cumprimentos,
Js-seixal@hotmail.com

Marlene disse...

A CM Seixal faz isso para inglês ver...

Luísa Gama disse...

Já fui dar um passeio pela feira e até comprei uns livrinhos. A qualidade não é elevada, acho que até é inferior às feiras que foram realizadas nos dois anos anteriores. No entanto, se quiserem comprar obras do Dr. Álvaro Cunhal, ou de outros militantes do PCP aí os munícipes estarão bem servidos. Este ano até as obras completas de Lenine estão à venda, numa edição que é um pouco rara.
Faltam editores, faltam livros um pouco mais especializados e se falarmos dos grandes clássicos da literatura são poucos os que aí figuram.
Quem quer comparar livros neste concelho vê a sua tarefa um pouco dificultada, nem a livraria Bertrand do Rio Sul é «grande coisa».
Quanto ao fórum, o espaço da biblioteca é bom, embora de vez em quando chova lá dentro, contudo peca pela aquisição de edições de datas mais recentes, merecia também uma maior especialização e uma melhor rentabilização do espaço. As actividades para as crianças também não são más mas também seria necessário fazer mais sessões de leitura para adultos, abrindo o espaço para a discussão das obras. Algumas destas iniciativas já existem, mas é preciso fazer muito mais. O mesmo poderia ser feito nos pólos de Amora e Corroios. A última vez que visitei o pólo de Amora não gostei do que vi, muito barulho, e o quase total desrespeito pelas regras que todos devem cumprir dentro de uma biblioteca. Porque não tentar que se abra um espaço dentro do fórum para a venda de livros? Também aconselho vivamente a leitura do blog http://oeiras-a-ler.blogspot.com/, sem dúvida algo que o fórum cultural poderia «copiar» e que poderia dar mais ênfase à cultura no nosso concelho.
É preciso que a câmara faça mais, mas também é preciso que as pessoas queiram mais, que exijam mais da câmara, daquilo que o concelho lhes pode oferecer culturalmente. Era óptimo que o Seixal, sendo um grande município da área metropolitana de Lisboa, se tornasse também como uma grande referência na cultura, como uma grande pólo cultural que atrai os seus munícipes mas também outros visitantes. Mas é muito difícil ver grandes iniciativas culturais neste concelho e para além das que são dedicadas ao 25 de Abril o deserto é ainda maior.
Não deixo de saudar a iniciativa realizada no passado dia 6 de Abril subordinada ao tema «O Seixal e os Descobrimentos», na Quinta da Fidalga e que foi sobretudo dedicada «aos mais novos». Mas já que a iniciativa foi lançada, muito mais poderia ter sido feito, para além de terem colocado duas pessoas vestidas como os irmãos Gama, que nem sabiam muito bem o que dizer as crianças, nem um folheto existia para uma explicação mais alargada sobre o tema (pelo menos eu não o vi). A feira da quinta também estava engraçada, mas já que era algo dedicado aos descobrimentos não fazia muito sentido estar lá naquele dia. A quinta da fidalga é belíssima, mas precisa de mais muito mais, tanto quanto a câmara precisa de saber o que é a cultura, o que é o turismo e como é que ambos podem interligar-se.