domingo, fevereiro 08, 2009

Grupo de Baile vs História do Seixal

Ai que bem xeiras, que bem xeiras dos sovacos
As meias rotas e os sapatos descascados
Nas avenidas ainda fazes os teus engates
E tudo graças ao perfume patchouli

o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho

Essas miúdas das escolas secundárias
Com cheiro a leite e o soquete pelo artelho
Ficam maradas com o teu charme perfumado, Yeah
O teu perfume patchouli

o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho

Essas miúdas das escolas secundárias
Já fumam ganzas na paragem do eléctrico
Conversas parvas com mais buço que pintelho
Não dizem duas quando estão ao pé de ti

o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho
o-ho, o-ho, o-ho

O que elas gostam de te ver e de cheirar, o teu perfume patchouli
O que elas gostam de te ver e de cheirar, o teu perfume patchouli
O que elas gostam...

19 comentários:

Daniel Geraldes disse...

A vida corria bem para o Grupo de Baile naquele ano de 1981. Já não eram apenas o grupo de amigos que se conheciam desde a infância (1), dos tempos em que tocavam na filarmónica da terra, nem sequer aquela banda que corria pelo circuito dos bailes com umas rocalhadas importadas do estrangeiro. As 99 mil cópias do single "Patchouly/Já Rockas à Toa", lançadas em Janeiro no mercado, foram consumidas vorazmente. As que traziam o "piiiiii" sobre a palavra "pentelho" e as em que se ouvia tudo. O Grupo de Baile fez disco de ouro em apenas um mês. Foi tiro e queda. Primeiro o tiro, depois a queda.

Quase dois anos depois, mesmo tendo gravado um novo single, "Estória Linda", o Grupo de Baile não voltou a ter o mesmo sucesso (2). Volatizaram-se. Viveram a mesma história que muitas outras bandas nascidas durante o "boom" do rock português, na euforia daqueles anos de 1980 a 1982, em que o panorama musical explodiu de uma tal forma que só podia mesmo vir depois a implodir.

Alguns anos antes e nunca se poderia ter gravado em Portugal uma música como o 'Patchouly'", explica o ex-vocalista do Grupo de Baile, Carlos Tavares.

"O 'boom' foi também muito incentivado pelas editoras, porque isso lhes dava uma maior escolha sobre aquilo que decidiam gravar ou não. Quantas mais houvesse, mais havia por onde escolher", afirma Carlos Tavares. Esta ideia é corroborada pelo guitarrista, Vicente. "Em Portugal as coisas funcionam assim: alguém experimenta uma coisa com sucesso e, de repente, parece que se descobriu a pólvora. Foi assim com o 'boom'. Apareceu o Rui Veloso com o 'Chico Fininho' e de repente percebeu-se que era possível fazer rock em português".

Toda a gente andava a querer e a conseguir gravar, e o Grupo de Baile recebeu o bilhete que os transportaria para o sucesso. "Embarcámos naquilo sem qualquer pretensiosismo, mas com a intenção de ir ver no que é que dava", esclarece o baterista, Luís Rosado. A Valentim de Carvalho convidou-os a gravar alguns dos temas originais que já tinham composto. "Tivemos hipóteses de impôr logo ali as nossas regras, mas não o fizemos", recorda Carlos Tavares. "Já éramos adultos nessa altura, mas nas coisas da música éramos mesmo uns miúdos" desabafa Luís Rosado.

Quando o quiseram fazer, pouco mais de um ano depois, perceberam que não podiam. Não eram essas as regras do jogo. "A certa altura quisemos deixar de ser os tais meninos e impôr as nossas escolhas à editora. Dissemos quais as canções que queríamos pôr num LP e quais é que queríamos que fossem lançadas em singles e a resposta foi um peremptório não. 'Nós é que sabemos disto, vocês editam aquilo que nós vos dissermos', foi a resposta", recorda Carlos Tavares. "Aquilo era espremer o limão até dar. Fomos chupados até ao tutano", reitera Vicente, defendendo que o Grupo de Baile teria tido, eventualmente, maior longevidade "se tivesse sido lançado um bocadinho mais por baixo e lhe tivesse sido dado tempo e estruturas de produção para crescer".

(1) A maior parte dos músicos tocavam desde miúdos na Sociedade Filarmónica União Seixelense. O grupo foi descoberto por Ricardo Camacho. Antes da edição do single de estreia já tinham tocado, intensamente, em bailes e festas pelo país fora.

(2) Ainda tentaram lançar o single "Vocalista Rock" mas que foi rejeitado pela editora.

(3) Em 1999 aceitaram o convite para o Seixal Rock 99 que se realizou no Seixal, no Largo 1º de Maio, entre os dias 6 e 9 de Outubro. Uma experiência agradável para o guitarrista Vicente Andrade, que confessou nessa altura ao jornal "Setúbal na Rede" ter em vista uma reunião com a banda, no sentido de equacionar a possibilidade de regresso do Grupo de Baile às luzes da ribalta.

FORMAÇÃO
Carlos Manuel Tavares ( voz)
Vicente Andrade (guitarra)
Luís Rosado (bateria)
António Manuel (baixo)
Luís Landeirote(orgão)
Marcelino (saxofone alto)
João Mário (saxofone tenor)
Zé Manel (trompete)

DISCOGRAFIA
Patchouly/Já Rockas à Toa (Single, Valentim de Carvalho, 1981)
Estória Linda/Conversa de Comadres (Single, Valentim de Carvalho, 1982)

NO RASTO DE...
Vicente Andrade continuou como músico da Orquestra Ligeira do Exército. Trabalha como músico de estúdio e em programas de televisão. Mais recentemente trabalhou com Lara Afonso e Marco Paulo.

António Manuel e Zé Manel são músicos da Banda da Guarda Nacional Republicana.

Luís Rosado é funcionário da Divisão de Acção Cultural da C.M. Seixal e Carlos Manuel Tavares é responsável pelo departamento de electricidade da C.M. Seixal.

Luís Landeirote foi empresário de equipamento de som e mais recentemente passou a entretainer de cruzeiros turísticos, em Miami.

Marcelino está reformado da Marinha Portuguesa.

João Mário é engenheiro mecânico da Lisnave e professor universitário.

Isto é a história do Seixal, que a CM Seixal não promove e deixa cair no esquecimento, é a história recente de um Seixal sem história, a não ser a história marxista.

Anónimo disse...

Gostei de ouvir o Carlos Tavares vocalista do Grupo de Baile no Natal pelo Hospital no Concelho do Seixal mandar à badamerda todos os políticos que no Concelho do Seixal dizem defender o hospital e que depois noutros locais votam contra o mesmo.

Foi mais um momento de grande nível por parte do Grupo de Baile, continuando a escrever mais alguns capítulos na sua bonita história.

Deixaram o pavilhão ao rubro com a sua intervenção e actução, mas também provocaram alguma azia em meia duzia de oportunistas que por lá estavam.

aldeia pp

Daniel Geraldes disse...

Curioso Aldeia PP, a CDU só se lembra de promover os "Grupos" da terra quando precisa deles, no resto dos anos esquece-os completamente.

Vá la, que o sr. Carlos Tavares deve ser uma pessoa de boa fé, e foi la defender o Hospital e os municipes do Seixal, não a CDU.

RT disse...

É preciso ter uma mente muito rebuscada para opor o sucesso de um Grupo musical nos anos 80 à política cultural da CM Seixal. Ou será que o Daniel é capaz de dizer que a CMS não tem das melhores politicas culturais do país?

Anónimo disse...

Que eu saiba, o CArlos Tavares é um apoiante de sempre da CDU, e tem sido candidato nas nossas listas.

Daniel Geraldes disse...

Só fiz esta oposição para demonstrar que o Seixal tem potencial a nivel nacional e a politica cultural da nossa Câmara nada faz para os promover, ou só os promove quando precisa deles, estou-me tambem a lembrar para a inauguração de uma rotunda aonde o executivo levou "os Tocar Rufar", estou-me a lembrar de uma promessa deste senhor que é Presidente eleito mas quem manda é o PCP, que disse que o Seixal iria ter um conservatório de musica em 2002, e já estamos em 2009.

Tirando a porcaria de saberes e sabores que fazem para se aproveitar da desgraça do alheio, a CDU não faz nada em termos de politica cultural, até o Março Jovem tem cartazes tão alternativos tão alternativos que eu não sei para que é que o fazem , a não ser para a capa do Boletim Municipal.

Basicamente, cada vez mais acredito que a CDU só existe para promover a desgraça, promover a insatisfação e no caso concreto do Seixal para promover empreendimentos imóbiliarios.

Experimentem começar a apoiar as pessoas em vez de apoiar o vosso Partido, que vão ver que o Seixal descola da miséria social, intelectual e ecónomica para onde caminha!!! E garanto-vos que não precisamos de construtores civis para o fazer!!!

E já que gosta tanto da política cultural que o Seixal faz, pergunte ao politburo do Seixal, aonde é que está o conservatório de musica???

E por isso que a Social Democracia e o Centro Direita são de longe, e sublinho de longe, a melhor opção para o Seixal.

E para terminar, porque é que eu nunca vi esta banda animar uma das inúmeras festas que há pelas freguesias do Concelho, é uma vergonha, ou uma reportagem no BM sobre eles, é mesmo uma grande vergonha. Mas sobre o 25 de Abril e a luta que tão mentirosamente apregoam , já estou farto de ver.

Anónimo disse...

Est post está muito oportuno e muito opurtuno foi relembrar as palavras do Carlos Tavares no Natal do Hospital do Seixal: "Para aqueles que no Seixal dizem que defendem o Hospital do Seixal e que fora do Seixal dizem outra coisa: BARDAMERDA"
Para mim não tenho dúvida que estas palavras têm dois destinatários: LUIS RODRIGUES e PAULO EDSON CUNHA, que no Seixal dizem defender o Hospital e que fora do Seixal votam contra o Hospital e lembro aqui que o Paulo Edson Cunha na Assembleia Metropolitana de Lisboa votou contra o Hospital do Seixal e o Luis Rodrigues fez o mesmo na Assembleia da República.
Por isso e parafraseando o Carlos Tavares: BARDAMERDA PARA OS DOIS!

RT disse...

Tchi, desta vez é que o Daniel se chateou. Eu já tenho avisado para não darem estes tiros nos pés, depois é obvio que são alvo da chacota publica. Eu até gostava de fazer umas considerações em relação ao comentario do Daniel, mas nem sei por onde pegar. Diz que quem manda no Seixal é o PCP(?), que o encontro saberes e sabores é uma porcaria, etc.. Eu até perguntava ao Politburo, mas não é o do Seixal que manda, é o do PC da URSS. Felizmente esta gente reles nunca vai ser ninguem no Seixal.

Anónimo disse...

Os comunistas repetem tantas vezes as suas mentiras, que eles prórpios acabam por acreditar nelas.
O deputado Luís Rodrigues tem sido um grande defensor do hospital no seixal tendo apresentado muitos requerimentos na AR mesmo antes do folclore todo do partido comunista.
O Paulo Edson Cunha na Assembleia Metropolitana absteve-se uma vez ( e explicou que o fazia porque era uma moção sobre toda a área metropolitana e não apenas sobre o hospital do seixal). Quem votou contra foi o grupo do PSD na AML e na segunda vez, depois de os comunas rectificarem o que tinham feito mal ele votou favoravelmente.
Portanto deixem-se de mentiras. Ele próprio explicou isto no blogue dele e nas Assembleias municipais onde o paulo Silva tentou ir dizer isso,mas acabou caladinho

Daniel Geraldes disse...

RT,

vê como está engando, eu não me irritei, apenas considero que se este festival tão propalado pelos papagaios que vêm aqui papaguear ao meu ouvido, que se não estiverem presentes pelo menos 10 mil pessoas é um enorme, um gigante, um grande FRACASSO.

É que num Concelho de 170 mil pessoas, das quais segundo já li por aí, 20% são imigrantes (34 mil pessoas) não estiverem presentes neste festival cerca de 10 mil pessoas, é porque por mais que se vá à televisão, por mais que se façam BM, e por mais que se organizem na blogoesfera, este saberes e sabores , para grande tristeza minha é mais um fracasso da CDU.
E a ciência exacta dos números a CDU não os consegue mudar!!!

Ou o senhor acha que eu gosto de viver num concelho onde quem me governa é um executivo cheio de "losers".
É que eu prefiro perder com os melhores, do que ganhar com os piores.

E se calhar nos Saberes e Sabores nem 1000 pessoas estiveram presentes, quanto mais 10 mil pessoas.

Anónimo disse...

Com defensores como o Luis Rodrigues e o Paulo Edson Cunha não há duvidas que nunca teremos Hospital no Seixal... Mas será verdade que o OBAMA numa Assembleia Metropolitana foi lá dizer que em 2006 tinha votado favoravelmente uma Moção sobre o Hospital do Seixal, e depois o Paulo Silva foi lá e chamou-lhe mentiroso, e quem ficou caladinho foi o OBAMA

Hélder disse...

Daniel, para dizeres que a CDU se esquece dos músicos da terra e só se lembra deles em época de eleições só podes estar mesmo a repetir a cassete que o Conselho Nacional do PSD vos incutiu...

Isto para não falar do apoio, já não no plano autárquico mas no plano partidário, que o PCP dá à música na festa do avante, e a JCP com o seu concurso de bandas que tem feito anualmente. Sinceramente...

Hélder disse...

Desculpem, só agora li estes últimos comentários: 10.000 pessoas é um fracasso?!

Deixem-me soltar um gigantesco LOL e mais outro LOL! Acho que vou deixar de discurir com laranjinhas, é como discutir num manicómio, daqui a pouco damos nós em doidos!

E já agora, foi extremamente bem mandada a dos anonimo das 6:37: Se quando se trata de defender o hospital na AML ou na AR o PSD não quer, põe problemas mesquinhos, porque tem medo que caso venha a ser verdade seja um êxito atribuído aos comunistas (embora seja naturalmente êxito de toda a população do Seixal) e claro, o PSD prefere colocar os seus interesses mesquinhos à frente dos interesses das populações, como SEMPRE fez, como SEMPRE fará, e porque será essa a razão de ter SEMPRE uma votação de merda no concelho!

Depois refugiam-se em blogs onde só destilam ódio aos comunistas, "morte aos comunistas", "porrada neles", etc etc. E isso é triste.

Daniel Geraldes disse...

Bem estou a ver que neste post, se discute tudo menos a politica cultural da CM Seixal, pois se assim o querem, assim seja.

Primeiro inventam-se posições que os representantes do PSD, seja na AR, seja AML nunca tiveram, depois já falam em Conselho Nacional do PSD, daqui a pouco estão a dizer que o Seixal é que perdeu a candidatura ao QREN.

Helder pode-se rir as vezes que quiser, fazer um festival que demonstra a plena integração das outras comunidades que vivem connosco, ir apresenta-lo á TV e não terem pelo menos 10 000 num Concelho onde reside 170 mil pessoas é um FRACASSO autêntico.

E não confunda a JCP /PCP com a autarquia, as dois orgãos deviam ser completamente diferentes, mas no Seixal confundem-se muitas vezes. A JSD se tivesse metade das regalias que a JCP têm acredite que o PCP não elegia sequer um representante para a Assembleia Municipal.

Quanto ao destilar ódio, lá estão vocês a confundir tudo, lá por eu não me identificar minimamente com a ideologia Marxista/Leninista, não quer dizer que vos estou a destilar ódio. Respeito-vos no essencial, no resto vou continuar a esforçar-me por vos fazer oposição, uma oposição séria e credivel, e demonstrar as pessoas que o PCP é uma fraude!

Ana Filipa Esteves disse...

Então são estas pessoas que estão à frente do concelho onde vivo? É no mínimo triste e no máximo desprezível... Porque é que em vez de perderem tempo em virem ao blog de uma juventude que não a vossa, apenas para a ridicularizar (tentativa falhada, pois a realidade não muda só porque se esforçam em ignorar que esta existe), não se preocupam com aquilo que têm a fazer? Porventura, já ouviram falar em críticas construtivas? Porque é que não aceitam os factos, agradecem (como a educação assim o exige) e tentam mudar esta triste realidade? Francamente... Se estão à frente do nosso município porque é que não se preocupam em ouvir as pessoas que nele vivem, as suas queixas, as suas necessidades, em vez de virem para aqui apresentar argumentos pouco sustentados e retóricas mal elaboradas? A resposta aos vossos comentários é: "Trabalhem, melhorem o concelho e satisfaçam as pessoas que neste vivem. "Estar no poder" não é sinónimo de oportunidade de rebaixar todos os outros que não estão. É um grito daqueles que votaram em vocês e um suspiro daqueles que não o fizeram: façam o que vos compete!"

anonimamente falando disse...

Eu só tenho a dizer que o senhor Daniel Geraldes é um grande ignorante e que por isso não percebe nada de cultura.

Patrícia Fernandes disse...

Lamento Daniel, mas não concordo contigo. Escrevi sobre isso há uns tempos aqui: http://pensarseixal.wordpress.com/2009/01/27/349/.

Na verdade, não estamos mesmo nada mal servidos em termos culturais, as coisas é que passam pelas pessoas sem que elas se apercebam ou então há é pouco interesse da parte delas. A minha opinião é que a Câmara devia apostar mais na divulgação da sua oferta cultural.

E é por isto que acho que dinheiro investido em comunicação não é propriamente desperdício (caso do BM), tema que já discuti aqui convosco há um tempo atrás.

Veja-se o caso da Fundação Calouste Gulbenkian, que é uma realidade que conheço uma vez que sou colaboradora, cuja única finalidade é a utilidade pública (com espectáculos, exposições, orquestra própria, actividades infantis e, acima de tudo, trabalho de beneficência e bolsas). Investe em comunicação e, mesmo não sendo uma prioridade da Fundação, tem uma equipa permanente de 7 pessoas, com os mais diversos benefícios para o público em geral. Sim, porque a Fundação não fica a ganhar, não tem fins lucrativos. Tudo é feito e pensado para as pessoas.

É isto que eu defendo para uma Câmara (perdoem-me a comparação).

Daniel Geraldes disse...

De cultura sovietica percebo o suficiente para saber que não serve os interesses da população, de cultura popular se quiser posso ser seu professor!!!

Anónimo disse...

este grupo era um espetaculo