sábado, dezembro 08, 2007

A MEMÓRIA E O FUTURO

Quando se fala de património nacional, a primeira imagem que nos surge é de abandono, esquecimento, degradação, delapidação e outros termos menos agradáveis.
Quem não se lembra da Fragata “D. Fernando II e Glória” que foi restaurada, com orgulho de todos nós, para comemorar os 500 anos dos Descobrimentos Portugueses, esteve em exposição na EXPO 98, não tendo ninguém questionado, e muito bem, os milhões de euros que se investiram na sua reconstrução.
Infelizmente, não foi um investimento, mas sim um desbaratar dos nossos impostos. Passados cerca de 10 anos a D. Fernando está muito degradada pois ninguém se empenhou em manter e conservar o património que tanto custou a recuperar.
Este mau exemplo deveria servir, pelo menos, para envergonhar quem nos últimos anos deixou colapsar tão nobre embarcação, orgulho dos portugueses que mostraram ao Mundo que também sabem (ou pensavam que sabiam) tratar do seu riquíssimo património.
Este é mais um pequeno/grande erro de como não se deve tratar o que é de todos nós, os impostos e o património nacional.
Assim, todas as iniciativas que visem promover o património natural e o património construído devem ser apoiadas e enaltecidas.
Quando esse património é fundamental para avivar a nossa memória e para assegurar o futuro comum, então é ainda mais importante relevar estas acções.
Sem qualquer desprestígio para a iniciativa municipal, esta tenta aproveitar a boleia dos grandes eventos ocorridos recentemente em Portugal na eleição das 7 maravilhas do Mundo e de Portugal. Espera-se assim, que esta não seja só mais uma moda, como tantas outras.
Esta iniciativa da Câmara Municipal de Setúbal tem pelo menos o mérito de pôr mais cidadãos a pensar sobre o património do Concelho de Setúbal que é, muito dele património Regional, Nacional e até Mundial.
A comunicação com os cidadãos é um das bases do sucesso ou insucesso desta iniciativa. A pressão da opinião pública junto das entidades responsáveis obrigá-las-á agir.
As Maravilhas escolhidas são de facto as mais emblemáticas da Cidade do Sado, e demonstram que os munícipes setubalenses são pessoas atentas ao que se passa à sua volta, mas também demonstra a preocupação que têm relativamente à morosidade na recuperação do património construído ou ao seu abandono e, no caso da Arrábida, podem querer mostrar a expectativa que têm para a conservação e beneficiação deste património natural, que deve ser utilizado não só hoje, mas também pelas gerações futuras.
No caso da Arrábida uma das questões que se deve colocar é a seguinte. Como resolver de uma forma equilibrada a retirada da cimenteira? Será que uma utilização futura no âmbito do turismo sustentável é aceitável?
Perguntas como estas terão um dia que ter respostas.
Um dos desafios que se coloca, principalmente a quem assume o poder e a responsabilidade de nos governar (Governo e Câmara Municipal), é o de optar pela acção e não ficar por meras intenções de mera propaganda.
Costuma dizer-se que falar é fácil, díficil é fazer.

Luís Rodrigues

A JSD Seixal agradece ao deputado Luís Rodrigues o texto aqui escrito pelo próprio. Obrigado

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