segunda-feira, agosto 17, 2009

A Destruição do Futuro, por... PCP

É fácil imaginar como seria o concelho do Seixal há 30 ou 40 anos atrás. É mais fácil ainda compreender de que forma se tornou naquilo que é hoje. O Seixal era um concelho com recursos hidrográficos, naturais, históricos e geográficos que fazia com que tivesse mais potencialidades que qualquer vila turística do país. Tendo a baía por base e todo o património histórico que a envolve, o Seixal podia ter-se tornado, ao longo destes 30 anos, numa vila com uma enorme capacidade de atracção turística. Não digo nenhum disparate se afirmar que o Seixal podia estar tão ou mais valorizado que Cascais caso a gestão do seu espaço e dos seus recursos tivesse sido a correcta no período que se seguiu ao 25 de Abril.
A potencialização dos recursos de determinada região acaba por envolver outros fenómenos (para mim óbvios), como o crescimento económico, o emprego, o turismo, a qualidade de vida. Infelizmente, o PCP nunca conseguiu compreender isso. Após as primeiras eleições autárquicas e as consequentes vitórias comunistas na margem sul, em especial no Seixal, o PCP fez questão de tornar todos os territórios onde era governo numa espécie de repúblicas sovéticas, fechadas sobre o desenvolvimento e o progresso. Assim, aos poucos, o Seixal depressa se transformou no enorme caos urbanístico que conhecemos. Um concelho que podia dar aos seus habitantes uma qualidade de vida extraordinária, tendo em conta os padrões da Área Metropolitana, é hoje um enorme armário onde se arrumam pessoas, encaixotadas em enormes e desenquadrados prédios.
Quanto ao resto, a história ficou esquecida, por entre as ruínas de um qualquer moinho de maré ou de um qualquer palácio ou quinta. A baía, essa, bebe o esgoto de todos nós ao mesmo tempo que sente a sua morte cada vez mais próxima. As fábricas vandalizadas e deixadas ao completo abandono. O Seixal é um concelho empedernido, gasto e desolado pelo mal que lhe fizeram durante décadas. Continuar a acreditar que o PCP fez um bom trabalho não é justo. Não é justo para com o PCP, para com a oposição, para com a população, para com o Seixal em si. Ainda vamos a tempo de corrigir muito do mal que foi feito. É possível fazer mais e melhor. Muito melhor. Porque o Seixal o merece.

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