
Exmo. Sr. Dr. Fonseca Gil
V/Exa. escreveu numa mensagem de ano novo que
“O Seixal está fortemente ligado a um período nobre da nossa história; a época dos descobrimentos. Era importante criar no nosso concelho um parque temático alusivo a esse período; mas, infelizmente, não vemos na proposta do PDM apresentado pelos comunistas qualquer visão estratégica que o contemple.”V/Exa.
dá uma resposta aberta a uma das questões levantadas por nós no n/blog.
Um parque temático para construir em que zona do nosso concelho?
“refiro a titulo de exemplo, Fábrica de Lanifícios da Arrentela e antigas Oficinas da Câmara Municipal, Parque Industrial do Seixal ou mesmo pode um Parque ser desenvolvido por pólos que se espalhariam por diversos pontos do concelho.”Perguntávamos ainda se seria necessário desafectar alguma área de RAN e REN, se V/Exa. saberia quantos hectares poderiam ser necessários, quem seria responsável pelas acessibilidades ao mesmo e se atrás do parque viria a habitual especulação imobiliária.
A todas estas questões V/Exa. responde que:
“Espantoso que tenham logo vindo a questionar os hectares a afectar ou a desafectar, com a especulação imobiliária que lhe poderia estar subjacente, com as acessibilidades, com os custos da sua construção, nada disso está em causa neste momento – não está definido o tamanho do parque nem onde deve ser instalado (…).”Depois, V/Exa. tem ainda a coragem de afirmar que:
“o que a JSD quer para o concelho é o imobilismo e a estratégia de desenvolvimento turístico preconizada pelos comunistas”;
“A JSD está satisfeita com a realidade que se vive no Seixal.”; “Ficamos todos a saber que os “laranjinhas” do nosso concelho querem viver em clausura e distantes do progresso.”.Vamos então por parques à resposta para que não se levantem dúvidas no futuro:
O Exmo. Sr. Dr. Fonseca Gil primeiro afirma que não se vê na proposta de PDM apresentada pelos comunistas qualquer visão estratégica que contemple a criação de um parque temático.
Face às questões levantadas pela JSD Seixal, V/Exa. responde vagamente sobre o local de localização e considera espantoso que questionemos a desafectação ou não de áreas de RAN ou REN, as possíveis consequência ao nível da especulação imobiliária, os custos com as acessibilidades.
Ora vamos lá ver. Então se V/Exa. se está a referir ao PDM do Seixal e à falta de previsão de espaços no mesmo para a criação de um parque temático, e depois nem sabe onde seria para instalar… Talvez na Fabrica de Lanifícios da Arrentela, ou nas antigas oficinas da Câmara Municipal, ou no Parque Industrial do Seixal, ou talvez em diversos pontos do concelho! Estamos confusos… Se pode ser em todos estes locais, ou em nenhum, o que propõe V/Exa. em concreto? Que o PDM tenha uma norma em aberto que diga que se pode proceder à construção de parques temáticos em cada um destes locais? A que se refere V/Exa. quando fala em visão estratégica no PDM? Depois de tantas palavras ainda não conseguiu dar uma resposta conseguida…
Como quer V/Exa. que não nos preocupemos com desafectações de áreas de RAN e REN? Delapidar ainda mais os já escassos recursos ambientais do nosso concelho? E as acessibilidades não são importantes? Afinal V/Exa. quer que se construa um parque temático no Seixal – apesar de não saber onde e embora faça questão de enaltecer o conceito de visão estratégica – e acha que não é preciso considerarmos o aspecto das acessibilidades? E a exploração imobiliário no nosso concelho? Não fica V/Exa. preocupado com o facto de termos milhares de fogos devolutos no Seixal? O conceito de visão estratégica não contempla para V/Exa. a resposta a estas questões?
Em relação aos tristes considerandos adjectivados com que V/Exa. pretende qualificar e classificar a JSD Seixal, permita-nos que lhe diga o seguinte.
A JSD Seixal não se revê nas palavras de V/Exa. Não nos revemos no
“imobilismo”, nem na
“estratégia de desenvolvimento turístico preconizada pelos comunistas.” A JSD Seixal não está satisfeita com a realidade que se vive no Seixal e muito menos tem V/Exa. o direito de afirmar em qualquer circunstância que
“Ficamos todos a saber que os “laranjinhas” do nosso concelho querem viver em clausura e distantes do progresso.”De facto, e ao contrário do que V/Exa. e outros que por aí andam poderiam querer, a JSD Seixal pauta a sua actuação por critérios de equilíbrio, harmonia, oportunidade, realidade, e segurança.
Não nos revemos em projectos sem nexo, sem qualquer suporte substancial, lançados para o ar como balões na Primavera. Acreditamos que o Seixal tem potencialidades turísticas que não passam pela construção de mais estruturas maciças em betão e pela desafectação do património natural para a construção de mais habitações como suporte a futuros projectos.
Neste contexto, a Baia do Seixal e a sua área adjacente assumem-se como o mais importante dos vectores nesta equação que é o desenvolvimento turístico no Seixal. Através da promoção da mesma é possível obter o dito desenvolvimento, sendo para isso absolutamente necessário fazer uma aposta definitiva na sua reabilitação enquanto ex libris do concelho.
Era aqui que se mostrava importante verificar a reabilitação de todo o património directa e indirectamente ligado à Baia, como são por exemplo os Moinhos de Maré. Seria importante também recuperar as zonas de sapais – e nomeadamente não permitir a construção de mais uma piscicultura em Corroios – aproveitando dessa forma o valioso recurso natural que o Sapal apresenta, através de visitas para observação da biodiversidade destes ecossistemas. A maximização do espelho de água da Baia seria certamente, pelas condições que a mesma poderá apresentar, um convite aos deportes aquáticos e à cultura do turismo desportivo.
Aproveitar a antiga Fabrica da Mundet para criar mais um museu da cortiça – à semelhança do que já existe em outros locais do país onde este recurso assumiu uma importância fulcral – que combinado com uma rede de museus no concelho seria propicio à recepção do turismo cultural, a par da revitalização das celebres Cantigas de Maio, que juntamente com o festival de Jazz e outros eventos de âmbito musical e cultural.
A aproximação da população – neste momento cerca de 170 mil pessoas – ao concelho, através da organização de um evento verdadeiramente popular que busque nas raízes ancestrais do concelho o seu motivo e temática, poderia assumir-se como uma pólo atractivo para as visitas de turistas ao nosso concelho. Assume-se como fundamental criar um grupo de missão com o objectivo de encontrar e reanimar velhas tradições e festas de forma a desenvolver o turismo local.
Acreditamos que o principal problema com o turismo no concelho do Seixal não está na falta de características inatas ao local onde vivemos, mas muito, acima de tudo o resto, da falta de boa promoção do concelho, que vive atolado em dezenas de anos de governação por uma maioria inerte e sem capacidade de inovação.
O que não pode acontecer, ao contrário do que é sugerido pelo Exmo. Sr. Dr. Fonseca Gil, é acreditarmos que o progresso apenas se atinge pelo betão avulso que tudo destrói. O Exmo. Sr. Dr. Fonseca Gil esqueceu-se de pensar nas consequências da proposta que fez.
A JSD Seixal não tem medo do progresso. A JSD Seixal enquadra-se num partido de índole reformista e que pretende a promoção da qualidade de vida das populações. A JSD Seixal não embarca em assomos fundamentados em eventuais “árvores das patacas” por descobrir nem pactua com propostas que possam eventualmente por em causa o património que ainda resta à população do concelho do Seixal.
A JSD Seixal não pactua com ideias confusas, por desenvolver, e sem qualquer sustentação através de estudos e projectos.
Finalmente a JSD Seixal acredita que o progresso no nosso concelho, bem como no país, só poderá fazer-se com respeito pelo ordenamento do território, com a garantia de manutenção do património – edificado e não edificado – existente, através de um desenvolvimento sustentado e de projectos concebidos e planeados correctamente.